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Histórico

Palavra dos fundadores:

Trabalhando com crianças...

Em 2006, quando decidimos abrir uma associação beneficente no Brasil, não foi difícil escolher a área de atuação.

Todos sabem da triste realidade em que vivem as muitas crianças que moram na periferia das grandes cidades brasileiras: pobreza, falta de recursos, exposição às drogas e à criminalidade.

Um programa “após a escola”...

A primeira idéia que surgiu foi implementar algo simples, ligado às atividades exercidas pela criança "após a escola". Algo que fosse relativamente simples de criar e manter.

Decidimos por um programa do tipo “após a escola” com o objetivo básico de tirar a criança em situação de vulnerabilidade social da rua, onde ela normalmente brinca, mas ao mesmo tempo fica exposta aos perigos das drogas e da criminalidade.

“Criança em situação de vulnerabilidade social" é um eufemismo criado nos últimos anos para caracterizar a criança que vive em condições precárias de moradia, higiene e segurança (tipicamente em favela). Na maioria das vezes essa criança mora com muitos irmãos e irmãs, é criada e sustentada somente pela mãe ou outro parente e, invariavelmente, sofre abusos psicológicos e, em alguns casos, até físicos.

A inspiração para o nome do programa após a escola que criamos – “Jovem, você pode!” – veio dos movimentos sociais dos imigrantes mexicanos ligados à lavoura no estado da Califórnia, onde moramos. O slogan "Sí, se puede!" é atribuído ao ativista social César Chavez, que lutou durante décadas por melhores condições para os trabalhadores do campo.

De acordo com nossa constatação pessoal, o nível de consciência – mesmo do mais pobre imigrante latino aqui na Califórnia – é de que ele PODE sair da situação de miséria em que se encontra, e vencer na vida. Portanto o slogan "Sí, se puede!" encontra-se plenamente inserido no contexto global, já tendo sido absorvido pela sociedade moderna.

A questão da dificuldade do imigrante em se estabelecer no país que escolheu e prosperar é histórica e universal. No Brasil temos dezenas de exemplos, dentre os quais destaco especialmente a imigração italiana, que deu origem à minha família, e a imigração japonesa, da qual descende minha esposa. Nós somos "criações" desses dois movimentos, o primeiro iniciado em 1875, e o segundo em 1908.

Por sua vez, o fenômeno da migração nordestina para os grandes centros urbanos do sudeste (São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro) pode ser observado especialmente a partir das décadas de 50 e 60.

Infelizmente, no Brasil, quer explicita ou implicitamente, a mensagem de resignação diante da vida está enraizada na sociedade.

O que me lembra uma história pessoal que gostaria de contar agora.

Sonho abalado...

Cresci na periferia de São Paulo, numa família de classe média. Aos 15 anos, resolvi transferir meu curso de 2º grau para o noturno e trabalhar integralmente durante o dia, tal como fizeram minhas irmãs e irmão mais velhos quando tinham minha idade. Fui trabalhar como office-boy e passei a estudar à noite.

Meu sonho era estudar na USP (Universidade de São Paulo – uma das melhores universidades do Brasil), e no terceiro ano do 2º grau, com 16 anos de idade, lembro-me que contei esse sonho à minha professora de química (que por sinal tinha se formado na USP....). Ao ouvir meu comentário, ela respondeu: – "Você? Mas você vem da periferia e estuda à noite! Você não tem nenhuma chance de entrar na USP!”.

Aquela resposta fez "meu mundo cair", meus olhos lacrimejaram. Minha motivação para continuar estudando e até concluir o curso de 2º grau ficou extremamente abalada.

No contexto em que eu vivia, ou seja, freqüentando o 2º grau noturno numa escola de periferia, cuja maioria dos alunos (com idades de 18 a 22 anos e filhos de famílias pobres) era considerada relapsa, seria "natural" aceitar que não se poderia sonhar em um dia cursar a USP. Cursar a USP era somente para filhos de famílias ricas.

O final dessa história é que acabei entrando na USP no ano seguinte e, ironicamente, na primeira semana de aula encontrei a mesma professora de química no ônibus circular que serve aos alunos e funcionários. Houve somente uma troca de olhares entre nós. Anos depois me formei em Ciências da Computação. Fui para o mercado de trabalho, arrumei bons empregos e tive sucesso profissional.

O valor de uma família estável...

Freqüentemente ouvimos de crianças da Cuore comentários do tipo "minha avó nasceu nessa situação de miséria, minha mãe também, eu também estou assim e vou terminar meus dias da mesma forma”.

Minha reação nas semanas seguintes àquela da declaração de minha professora de química foi de grande desânimo, mas achei forças para uma retomada de ânimo, que ficou ainda maior do que o que tinha antes.

Hoje compreendo que o fator crítico para isso foi o fato de eu ter "suporte familiar", ou um "lar estável".

Quando se tem pais dependentes de drogas ou álcool, quando não se tem o que comer todo dia, quando não se tem condições mínimas de moradia (casas às vezes sem banheiro, ou com somente um cômodo para alojar uma família de 8 pessoas), quando você sofre violência familiar com freqüência, muitas vezes sendo espancado como parte da rotina, fica difícil reagir na vida.

O projeto “Jovem, você pode!”

A Cuore trabalha na recuperação da auto-estima das crianças, em primeiro lugar oferecendo recursos básicos como:

  • alimentação: a criança permanece de 4 a 5 horas na Cuore (período "pós-escola") e lá recebe café-da-manhã e almoço (período da manhã), ou almoço e lanche da tarde (período da tarde);
  • higiene: as regras básicas de higiene são trabalhadas diariamente com as crianças. Aquelas que não possuem banheiro com chuveiro em casa, tomam banho na própria Cuore;
  • assistência médica e dentária: a Cuore trabalha com os órgãos de saúde do bairro do Jardim Umarizal, que ajudam a prover essa necessidade.

Após trabalhar a questão da SAÚDE básica da criança, são oferecidas outras atividades, tais como música, computação e complementação acadêmica da escola.

O aspecto da capacitação profissional é especialmente trabalhado por intermédio da conscientização de que escola e estudos, em seus diferentes níveis, são cruciais para realizar os sonhos pessoais.

A mensagem que fica para a criança da Cuore é: “jovem, independente de sua condição social, racial ou intelectual, VOCÊ PODE estudar e ter sucesso profissional na vida. Você vai poder ter sua própria casa e sua própria família no futuro, e ser independente financeiramente.”

Mas será que somente o sucesso financeiro e o profissional são suficientes?

Para nós, construir a Cuore e poder sonhar e trabalhar para construir um futuro digno e de sucesso para crianças em situação de vulnerabilidade social é um grande privilégio.

Mas nada disso teria sentido para nós se o aspecto espiritual não fosse abordado. Construir uma instituição baseada somente nos valores do homem ou da sociedade não teria sentido para nós.

É preciso responder às questões "Por que fomos criados? Qual nosso propósito de vida?"

A Cuore é uma instituição cristã. Não temos denominação, não temos rótulo. Os valores adotados pela Cuore e por todos os seus funcionários são aqueles pregados pelo Senhor Jesus.

Esses valores são trabalhados com as crianças diariamente por meio de leituras e cantos, em especial pelas palavras usadas pelos funcionários, por seus exemplos de vida e pelas ações que praticam. Tudo isso tem que estar alinhado com os valores ensinados pelo Senhor Jesus.

Observamos freqüentemente pessoas não-cristãs em situação de vulnerabilidade social (na grande maioria adultos) que se revoltam contra a vida em virtude de sua condição e se perguntam: "por que nasci nessa condição? por que tenho que passar por isso?". Muitas outras questões com teor negativo e de revolta estão incorporadas à existência dessas pessoas e são também passadas a seus filhos.

Um discípulo do Senhor Jesus, mesmo não conquistando os valores de sucesso (tipicamente financeiros) que a sociedade cultua, é feliz e tem plenitude na vida.

O grande filósofo brasileiro Humberto Rohden escreveu:

O homem da frustração existencial é sempre infeliz, mesmo no gozo do sucesso social. O homem da realização existencial é sempre feliz, mesmo sem o gozo do sucesso social.

Nosso objetivo é que nossas crianças não só atinjam essa plenitude de vida por meio dos ensinamentos do Senhor Jesus, mas também lutem por seu sucesso socioeconômico.

Venha fazer parte desta cruzada conosco! Contamos com sua participação neste projeto.

Daniel Dalarossa e Elza Harumi Kazawa Dalarossa
Fundadores